O que e ano bissexto?
O ano bissexto é aquele que ganha um dia a mais no calendário, passando a ter 366 dias em vez dos 365 tradicionais. Esse ajuste acontece no mês de fevereiro, que ganha o dia 29.
Isso existe porque a Terra demora cerca de 365 dias e 6 horas para completar uma volta ao redor do Sol. Como essas seis horas sobram todos os anos, elas são somadas ao longo de quatro anos até formarem 24 horas, ou seja, um dia inteiro. Se essa correção não fosse feita, o nosso calendário ficaria desalinhado com as estações do ano ao longo dos séculos.
Geralmente, o ano bissexto acontece a cada quatro anos, mas existem pequenas exceções. Os anos centenários, que terminam em 00, só contam como bissextos se também forem divisíveis por 400. Por isso, o ano 2000 foi bissexto, mas 1900 não foi.
No dia 15 de Outubro de 2026 cientistas apoiaram o fim da mudança no tempo causada pelo ano bissexto.
A decisão tomada por cientistas e metrologistas internacionais definiu o fim do segundo bissexto (leap second), e não do ano bissexto.
O segundo bissexto foi criado em 1972 para alinhar o tempo marcado pelos relógios atômicos com a rotação real da Terra, que sofre pequenas variações. Desde então, um segundo extra era adicionado de tempos em tempos ao Tempo Universal Coordenado (UTC).
Qual o motivo da mudança?
A remoção dessa prática foi decidida porque a inclusão desse segundo extra causa falhas frequentes na infraestrutura tecnológica global. Sistemas de navegação, servidores de internet, plataformas digitais e redes bancárias dependem de um fluxo de tempo contínuo e preciso. A alteração pontual de um segundo pode desincronizar softwares e interromper serviços essenciais.
Com a mudança, os relógios atômicos continuarão funcionando de forma contínua, permitindo que pequenas diferenças entre o tempo atômico e a rotação da Terra se acumulem sem a necessidade de correções manuais frequentes. O ano bissexto tradicional, que adiciona o dia 29 de fevereiro a cada quatro anos para corrigir a órbita da Terra ao redor do Sol, permanece existindo normalmente.
Patrizia Tavella, diretora do Departamento do Tempo no Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), resumiu a decisão e alertou para os riscos de manter o sistema antigo:
“A boa notícia é que não precisamos fazer nada! Basta continuar acumulando segundos e minutos ‘normais’ de 60 segundos. Um segundo bissexto negativo nunca foi adicionado ou testado antes, portanto os problemas que ele poderia criar não têm precedentes.“
O que isso afeta aqui no Brasil?
A decisão de encerrar o segundo bissexto traz impactos focados principalmente na infraestrutura tecnológica do Brasil, sem alterar a rotina do dia a dia da população.
No cotidiano das pessoas, nenhuma alteração será percebida. Os relógios comuns, celulares, computadores e alarmes continuarão marcando as horas da mesma forma, a Hora Oficial de Brasília permanece inalterada e o dia 29 de fevereiro continua existindo nos anos bissextos tradicionais.
As principais mudanças ocorrem nos bastidores dos sistemas digitais nacionais. A eliminação do ajuste de um segundo aumenta a estabilidade do sistema financeiro, prevenindo falhas em transações instantâneas como o Pix, que exigem sincronização em milissegundos. Além disso, melhora a segurança nas redes de telecomunicações, em servidores de internet e na gestão do sistema elétrico nacional.
No âmbito científico, órgãos como o Observatório Nacional, responsável pela manutenção da Hora Legal Brasileira, passam a alinhar seus relógios atômicos ao novo padrão contínuo, sem a necessidade de correções manuais. O resultado final para o país é maior estabilidade técnica e menor risco de falhas em serviços digitais essenciais.